Los Cajones

Chocolate Riveros e Los Cajones propõem um espetáculo de arte integrada, que reúne música, teatro e dança afro-peruana. A orquestra  percussiva de madeira é formada pelos tradicionais instrumentos afro-peruanos cajita, quijada de burro, cajon e suas variantes criadas por Chocolate. O repertório é composto pelos temas tradicionais da cultura afro-peruana. Simultaneamente à apresentação da orquestra, o corpo de baile apresenta  um espetáculo contemporâneo de dança inspirado nas danças típicas afro-peruanas, promovendo interação com o público.

O projeto surgiu em 2001, quando Chocolate Riveros chegou a Salvador, após intercâmbio cultural de cinco anos pela América do Sul com a comunidade artística itinerante Teatro Del Ritmo, onde efetuou importante pesquisa da música e percussão afro-sulamericana. A transmissão/ensino das técnicas da percussão de madeira a jovens percussionistas baianos, motivou a criação do grupo, inicialmente denominado de Macajon.

 

A inovadora idéia de montar uma orquestra de madeira, explora todos os diversos timbres e registros do tradicional cajon (normalmente tocado de modo individual) e das novas adaptações instrumentais criadas por Chocolate (big cajon, rum cajon, cajongo, cajongon, bemba e cajaire). Tais adaptações do cajón, sem a intenção de desvirtuar sua essência, concebem um simples palalelepípedo de madeira como orquestra e eleva-o a uma posição de destaque.

 

Hoje, mundialmente difundido, o cajón tem suas origens ainda mal conhecidas por grande parte do público em geral e inclusive entre músicos brasileiros que acreditam ser originalmente espanhol, graças à sua inclusão na música flamenca de maneira marcante. De fato, o cajón surgiu quando africanos escravizados, chegando ao Peru, foram privados de se expressarem musicalmente, tendo sido queimados seus tambores originais. Como estratégia para preservação da sua cultura e do seu divertimento, os escravos utilizaram criatividade na adaptação das embalagens de madeira a que tinham acesso nas zonas portuárias, para reproduzirem suas memórias musicais.

 

A percussão e sua força rítmica, sem dúvida cativam o público apreciador de arte de uma forma pungente, que contagia e o faz vibrar consoante com a mensagem ali associada. Tendo o cajón em posição de destaque, o espetáculo, então, reúne os recursos de música, teatro, dança, poesia e sapateado para contar histórias e vivências dos povos afro-latinos, e incentivar uma opinião crítica sobre o valor artístico, no sentido de combater o racismo, o preconceito e a xenofobia, porque a herança cultural desses povos é patrimônio imaterial de toda humanidade.

 

O projeto, que hoje leva o nome de Chocolate Riveros e Los Cajones, já se apresentou em eventos culturais importantes, como o V Mercado Cultural, em Salvador, Ba em 2003, e no Memorial da América Latina, São Paulo em 2008.

 

Macajon - Movimento de Cajones

Praia de Ondina - Salvador /BA